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Vivendo com a Síndrome do Pânico#1 – Minha história

A Síndrome do Pânico é um assunto que está se popularizando a cada dia mais, principalmente aqui na internet. Não somente porque mais pessoas estão buscando ajuda, mas também pelo fato de algumas celebridades que sofrem com esse problema terem levado o assunto para a mídia. Apesar disso, muita gente ainda não sabe direito o que é e acaba confundindo com outros transtornos e doenças. Foi pensando em tentar ajudar a conscientizar um pouco as pessoas, que eu decidi compartilhar aqui a minha história com a Síndrome do Pânico. Obviamente não sou nenhuma profissional da área da saúde, então contarei tudo a partir do ponto de vista de uma pessoa que sofre desse mal e que está tentando, dia após dia, superar e voltar a ter uma vida normal.

Mas o que é essa tal de Síndrome do Pânico?

Antes de começar a contar como aconteceu comigo, quero dar uma explicadinha resumida: a Síndrome do Pânico é um transtorno de ansiedade, onde nós temos crises de medo e desespero sem um motivo aparente e os sintomas físicos (coração acelerado, falta de ar, tremores, boca seca, sudorese) fazem com que a gente pense que está morrendo, o que nos deixa ainda mais ansiosos e aflitos. Não existe uma causa definida, cada pessoa tem um motivo diferente para ter desenvolvido esse transtorno, pode ter sido causada por um nível de stress muito elevado, alguma experiência traumática, a perda de uma pessoa querida, e muitas outras coisas.

síndrome do pânico

Como tudo começou…

[AVISO: se você se impressiona facilmente ou acha que ler sobre as experiências ruins que outra pessoa viveu pode lhe influenciar de alguma maneira negativa, por favor, não leia este relato.]

Infelizmente, a gente só descobre a Síndrome do Pânico depois de vivenciar pelo menos uma crise.

Tive minha primeira crise em 2012, em casa. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo, só achei que estava morrendo. Conforme a crise foi passando, eu fui me acalmando e me convencendo de que tinha sido algum problema passageiro sem explicação. Com o passar dos dias e o confronto com uma situação que ele elevou ainda mais minha ansiedade (que já andava bem grande nessa época), a segunda crise aconteceu. Porém, dessa vez eu não estava em casa, estava sozinha em um ônibus. Quer dizer, na verdade eu estava entre dezenas de pessoas estranhas que olhavam a minha cara de completa incompreensão e não diziam uma só palavra, ou seja, era pior do que estar sozinha. Eu não conseguia emitir uma palavra, mas em minha mente só me pergunta o por que daquilo estar acontecendo e o que seria aquilo. Comecei a colocar a culpa na minha roupa, dizer que estava muito apertada. Também tentava me convencer que era por causa do banco em que eu estava, o do meio, lá no fundão. Na primeira oportunidade mudei de lugar e tentei me distrair, de alguma forma eu sabia que precisava não pensar naquilo para aquilo passar. E alguns minutos – longos minutos – depois foi passando, mas o medo de acontecer de novo era enorme e me perseguiu por dias. Na verdade ele nunca foi embora, está aqui comigo nesse exato momento e em todos os momentos em que me pego pensando em sair de casa sozinha. E demorou para eu aprender a conviver com ele: foram noites e noites sem dormir direito, toda vez em que eu começava a pegar no sono, batia aquele desespero de não conseguir respirar, o coração acelerava, aquele nó na garganta apertava e a dúvida do que poderia ser aquilo me dominava.

No começo, foi difícil sair de casa, aquele medo estava sempre me acompanhando e com ele a dificuldade para respirar. Eu me sentia muito insegura. Até tentei comentar com algumas pessoas próximas, mas aí apareceu um dos maiores obstáculos que uma pessoa com Síndrome do Panico tem: a negação alheia. Todos com quem comentei me disseram que “não era nada demais”. Alguns diziam que era porque eu passava muito tempo em casa, porque eu não dormia direito, que eu estava com asma, que eu deveria tomar um xarope (e não foi a Rochelle quem disse, hein!). Eu resolvi então pesquisar na internet e logo os sintomas que eu tinha bateram com os da Síndrome do Pânico, porém, quando timidamente contava a alguém sobre minhas suspeitas, eles logos negavam, diziam que não era nada daquilo e eu acabava me convencendo de que estava enganada, e assim fui levando e piorando, chegando ao ponto em que não conseguia sair de casa sozinha nem até a esquina. Todas as vezes em que eu tentava, todos aqueles sintomas apareciam e me faziam passar por momentos horríveis. Toda vez que eu precisava entrar em um ônibus, mesmo acompanhada, acontecia.

Procurando ajuda…

Ano passado acabei tento outros tipos de problemas que, segundo os médicos, também foram causados pela ansiedade, stress, preocupação, etc: gastrite e por consequência uma esofagite f*da que fez com que eu não conseguisse engolir nada, mal conseguia beber água. Isso me deixou fraca, magra e preocupou muito minha família, que agora me deu total apoio para que eu procurasse ajuda psicológica para enfrentar a Síndrome do Pânico (que foi confirmada pela psicóloga).

Comecei então a fazer terapia e venho conseguindo enfrentar e compreender melhor tudo o que acontece comigo e não precisei de medicação até agora 😉 Com a terapia pude perceber muita coisa sobre a minha vida que eu não me dava conta: como eu sempre fui excessivamente protegida, a enorme dificuldade que eu tenho em falar sobre mim, sobre o que eu sinto (acredite, não está sendo nada fácil escrever este post), o quanto eu me cobro e me culpo sobre as coisas que eu gostaria que fossem e que não são, o quanto as coisas me marcam e o quanto eu absorvo e levo tudo muito a sério, mas principalmente o quanto eu penso. Eu penso demais nas milhares de possibilidades de coisas ruins acontecerem, penso demais antes de fazer alguma coisa, penso demais nos meus erros, nos meus defeitos. Penso ao ponto de não conseguir dormir e tanto pensamento me leva a… lugar nenhum.

Tentar superar a Síndrome do Pânico é isso: é se conhecer melhor e se conscientizar da origem dos seus problemas. É saber que não é uma divindade que vai tirar você dessa, por mais fé que você tenha. É saber que não exite um remédio milagroso, mesmo que você precise de medicamentos, eles não vão magicamente te “curar”. A única pessoa que tem a capacidade de mudar a situação, é você. Mas não sozinho, claro. Precisamos de ajuda PROFISSIONAL. E do apoio de quem gosta da gente, também. E ao procurar essa ajuda profissional, tome cuidado para não cair na armadilha de aproveitadores que estão só querendo roubar o seu dinheiro e te iludir, está cheio desse tipo na internet.

Eu pretendo continuar a escrever posts sobre o assunto, me aprofundando em algumas questões. Então se você tiver alguma sugestão ou crítica, por favor, não deixe de comentar aqui no blog ou nas redes sociais 🙂

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About Raissa

6 comments

  1. Oi Ray,tudo bom?
    Que bom que compartilhou seu problema com o mundo,achamos que por conta do tabu não devemos falar…ainda estou lidando com a ansiedade e minha depressão.Muitos nos julgam e não entendem que não podemos controlar nossos monstros sempre.Realmente somos os únicos que podemos mudar a situação,o profissional nos dá as ferramentas que são necessárias,mas nós que temos que construir o alicerces e tudo mais.Não devemos usar a doença como muletas,li muito sobre TAG e acabei conhecendo muito sobre eu mesma, fiz mudanças em mim que nem imaginária. Minha tatuadora (que no momento parou de tatuar),começou o oficio após ter começo de Síndrome do Pânico e Ansiedade,ela trabalhou por oito anos como bancária,ela me aconselhou a começar a fazer algo que eu goste como parte da terapia, e funcionou sabe?Ainda tenho crises horríveis de ansiedade,mas conseguir sair sozinha novamente e não ficar checando inúmeras vezes se as portas estão fechadas,se não estou esquecendo dinheiro e documentos em casa,já foi um grande passo.Escreva,nem que não tenha comentários recorrentes,mas sempre,sempre você vai estar ajudando alguém e a si mesma, e doar amor e carinho é uma enorme terapia ♥.

    Beijos

    • Oi, Marcela!
      Realmente, eu nunca me senti à vontade para falar sobre isso publicamente antes, muita gente tem preconceito, sabe como é.
      Eu espero de coração que você também continue progredindo e que um dia nós duas possamos olhar para trás e dizer “eu consegui!” \o/
      Muito obrigada pelo seu comentário, isso já faz valer a pena ter escrito esse post 😉
      Um grande beijo!

  2. Na minha adolescência o meu padrasto me assediava e quando fui contar pra minha mãe ela ficou em cima do muro, dizia que eu não me comportava por isso aquilo estava acontecendo. Passei por momentos terríveis, ao ponto de sair de casa e até hoje passaram muitos anos e não consegui superar. É bem difícil explicar os sintomas e só quem passa pelo problema ou um especialista te entende.

    • Nossa, deve ser mesmo terrível passar por uma situação dessas! E eu não consigo entender porque as pessoas nunca acreditam na gente de primeira, a gente que provar por a + b que a gente tá sofrendo, é tenso! Mas vamos tentando seguir em frente, né? rs
      Um beijo! <3

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